Buio Omega - Beyond the Darkness (Joe D’Amato, 1979)
Post de estréia e começo falando sobre esse que na minha opinião é o melhor filme de terror europeu. Muitos não teriam estômago para assistí-lo, porém, é exatamente o clima mórbido e pessimista que prenderam a minha atenção. Logo nas primeiras cenas ao som da banda de progressive rock italiano Goblin, fui apresentada a Frank (Kieran Canter), um jovem herdeiro e rico que dedica-se a empalhar animais. Ele mora apenas com a governanta Iris em sua isolada mansão. Iris (Franca Stoppi) nutre uma paixão doentia pelo rapaz e chega ao extremo de se dedicar ao vudu e à magia negra para acabar com a vida de sua rival, Anna (Cinzia Monreale). A garota que sofria de uma doença desconhecida pelos médicos, morre e sua família a enterra em um cemitério. Inconformado com a perda da amada, durante a noite Frank retorna ao cemitério e leva o corpo da moça para sua mansão.
Ok, vamos aos fatos. Frank retira olhos e orgãos internos da moça. Leva-a para sua cama e coloca um vestido nela. Ele óbviamente pretendia fazer sexo com o corpo de Anna, mas isso não é mostrado claramente no filme. A perversão fica para a cena em que ele leva uma esportista até seu quarto e ao tentar fazer sexo com ela, descobre o corpo de sua noiva que jazia em sua cama ao lado. Em nenhum momento sinto medo ou repulsa por Frank, Iris (que ajuda o rapaz a encobrir outros crimes) ou Joe D'Amato. Na minha concepção os personagens agiram por paixão. Ele por Anna e Iris por ele. Admiro a coragem de D'Amato ao colocar necrofilia, canibalismo e exploitation em suas cenas. Pois, o diretor causou impacto no expectador sim, mas creio que por se tratar de um filme de terror tenha sido bem utilizado. Frank não fazia sexo com outros cadáveres, comeu o coração da mulher que amava e Iris viveu toda a juventude para cuidar daquele rapaz. No final das contas se trata de um filme de amor. Com cenas doentias sim, mas impulsionadas pela paixão que os personagens sentiam.
Digam o que quiserem, mas Joe D'Amato sabia impressionar as pessoas e para mim um bom diretor tem que incomodar o público e se diferenciar dos outros diretores. Após Buio Omega, passei a admirar Aristide Massaccesi (nome verdadeiro de Joe).

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